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Gentamiga do meu Brasil varonil, o nosso país resolveu dar uma demonstração de que deve ser mesmo levado a sério, nem que seja no jeitinho, no baticum ou na porrada. Será? Isso mesmo, dando cabo das ações escusas de afanadores do erário público e na defesa do patrimônio de pobres, oprimidos, comprimidos e Fabos caboetas.
Finalmente a esmagadora população brasileira poderá constatar pela primeira e única vez, a condenação dos facínoras e inimigos públicos número 001 da nação de Pindorama. Isso numa indubitável iniciativa hercúlea de verdadeira operação mãos-limpas, o Judiciário brasileiro resolveu julgar definitivamente todas as megasuperhiperultra operações realizadas pela Polícia Federal de uma só vez, juntando num balaio só as navalhas, xeque-mate, paraíso, pinóquio, tsunami, ciclone, sanguessuga, alcatéia, guabiru, anaconda, pandora, saia-justa e o escambau, todas realizadas de 2003 até 2007, sobrando os casos anteriores a esta data, inclusive, os que foram antes disso porque não tem como pegar mais os que já mudaram de nome, de domicilio e estão gozando fantasminha impune por aí pelo meio do mundo.
O negócio era para passar a limpo todas as maracutaias ocorridas no nosso território desde o achamento e a invasão dos portugueses em 1500. Mas como seria uma laboriosa empreitada impossível de desenocegar tudo, resolveram mesmo dar cabo só das mais recentes. O restante foi levado na base da prescrição e validade vencida das tramóias.
Finalmente, o catatau todo foi encaminhado sob o maior segredo de justiça para uma comarcazinha isenta do interior na cidade de Quiprocolândia, onde um juiz insone e ineivado tascou condenação a todos os envolvidos e indiciados à pena máxima.
Tei bei!
A OAB em peso ficou de cabelo em pé e insatisfeita com as condenações e alegando cerceamento de defesa, recorreu da sentença em nome do direito da ampla defesa e do contraditório, sendo inicialmente julgada procedente pelo Tribunal de Justiça do Estado do Amapá. Chupa essa manga aí, vai!
Mas a pendenga foi engrossando e, utilizando-se de todos as brechas da processualísticas, os causídicos contumazes em seguida impetraram novo recurso, também julgado procedente pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina sendo, ainda, posteriormente, julgado unanimemente culpados em um por um de todos os tribunais estaduais da federação, findando como bomba espoletada no plenário tanto do STF como do STJ que levou o julgamento para a prorrogação, chegando nos pênaltis e, por fim, foi tudo decidido na porrinha mesmo, resultando na emissão da sentença conjunta sobre o calhamaço todo das duas superiores instâncias judiciais.
Como ninguém teve acesso ao resultado final da lengalenga, muito menos ninguém comeu bosta de cigano para adivinhar os envolvidos que estão nas pilhas dos processos acorrentados sob uns 5 mil cadeados, o Doro, o repórter mais prestigiado do planeta, num golpe de mágica insuplantável com os ajeitados de molha-mãos e outras escorregadias participações de funcionários públicos, traz a relação dos condenados em primeira mão:
CONDENADOS: a perereca de Paranapiacaba, o bugio, a jararaca-ilhoa, o mico-leão-preto, as cobras dormideira-da-queimada-grande, macaco-prego-de-peito-amarelo, a jararaca-de-alcatrazes, o mico-leão-de-cara-preta, o rato-candango, o peixe-boi-marinho, a jiboia-de-cropan, a tartaruga-de-couro e a baleia azul.
Kabum!
Um escândlo. Mas, tem mais: entre os indiciados uma ruma de suspeitos já com a condenação pronta: o Saci-Pererê, o lobisomem-zonzo, João-Grilo, o Caipora, Macunaíma, o Boitatá, João Ternura, Riobaldo e Diadorim, a mula-sem-cabeça, Cheiroso Dolabela, a perna-cabeluda, Manuelzão e Miguilim, a cobra-grande, Biritoaldo, a mãe-do-ouro, Tolinho e Bestinha, o papafigo, Urinácio, o Padre Bidião, Alamoa, Anhangá, Mani, Matita-Perê, Urutau, Fudêncio, o Mané-Gostoso, o Nego-Bom, o 6º Beatle, as vítimas do Césio 147, as vítimas dos edifícios-do-Sérgio-Naya, o Visconde de Sabugosa, o louro José, o cartola e fanfarrão Zico Góis, o mestre Fiorda do Pânico, o empresário João Ponês, o baixinho da Kaiser, o Carlinhos da Bombril, os que se lascaram no Bateau Mouche e a tonga da mironga do kabuletê.
Agora sim, agora vai!
Com essa demonstração de firmeza jurídica, de democracia consolidada e freio-de-arrumação nas mazelas brasileiras, agora, sim, ninguém mais neste planeta poderá mangar que o Brasil não deve ser levado a sério. E o brasileiro, finalmente, pode dormir com a alma lavada. E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá.
Luiz
Alberto Machado.
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