

©TAC
Aquele reles sujeito a
quem todos tratavam pelo chistoso apelido de Mamão,
parecia mais que era ninguém: nome, não
tinha; família, muito menos. Nem certidão
de nascimento, tipo enjeitado sem nada, vivia apenas.
Parece mais que caiu do
céu assim à toa ou foi a Lu-cegonha-preta
quem recolheu o bicho dalgum lugar desencontrado
Saber de mesmo, nem ele
sabia quem era quem, família, parentes, aderentes,
nada.
Data de nascimento? Não
imagina. Nome completo: lascou!
Feio que dói, o
olhar vesgo, as pestanas emendadas, beiços salientes
sob um nariz espragatado no meio da cara de prato, corpo
disforme de pernas curtas, braços longos, manzorras.
Nessa tronchura ainda
tem: cabeça grande de pigmeu, pescoço encolhido
no tronco, buchudo, tamborete de zona, todo atarrachado,
verdadeiro pau pendeu, um franchão.
Pois é, tem mais:
broco do cabelo ruim, pés de raiz de jacarandá,
uma santa ignorância oriunda das brenhas onde havia
sido criado nos cafundós de Judas e, de quebra,
um certo desequilíbrio psíquico, descoordenando
ainda mais o desconjuntado.
Um quasímodo, horroroso
mesmo. Será a mãe dele alguma Mary Shalley?
Nossa! Se esse bicho inventar
de dormir no cemitério, alguém desavisado
passar por esse busuntão, vai se cagar de terror
horripilante e, tenho certeza, do ocrídio hediondo
todo mundo corre de medo. Vão dizer que ele veio
do mundo dos mortos, do Hades, do outro mundo, ou, sei
lá, dalgum lugar dos extraterrestres mais feiosos.
Era.
Deve ser castigo tanta
fealdade assim. E a mangação? Quando chegavam
a vê-lo todo sonso assim, perguntavam logo: - cadê
a nave, Mamão? - E ele: vápápupariu!
-, era a maior gaiatice. Nossa, abusavam mesmo do coitado.
E isso porque tudo para ele ali era novidade. E era mesmo,
vez que saído como saiu duma capoeira insólita
onde o diabo perdeu as botas e, agora, desfrutando do
progresso frenético de uma província em
franca ascensão, pudera, tudo maravilha de bestão.
Um monstrinho, deveras,
no meio da civilização.
Antes fugia dos automóveis,
se escondia de ambulância, corria de caminhões,
tratores - isso é uma tuia de bicho feio, sô.
Era um pavor.
Foi então que um
certo cidadão caridoso Marquito Ladeira, mais conhecido
pelo alcunha de Marquin Doideira, colheu o sujeito e resolveu
documentá-lo.
Foi ter num Cartório
de Registro Civil com um certo amigo gaiato que era escrevente
juramentado e combinou de dar-lhe vida assim do inventado.
Nome? Chuta aí.
Vôte!
Idade? Da pedra.
Filiação?
Desconhecida.
Assim num pode.
Sei que foram para lá
e para cá e se entenderam por nominar o ogro pelo
nome de Manoel de Tal, nascido em dia ignorado, com filiação
de Maria de Tal e Zé Qualquer, que mãe ele
tinha de ter, ninguém que sabia.
Seu Marquin testemunhou
tudo, apossou-se do documento e falou:
- Agora tu é gente,
Mamão! -, ele quase chorou de alegria.
Daí foram pro lambe-lambe,
fizeram todo tipo de pose e fotografaram o beiçudo
até plantando bananeira. Isso. Quanta munganga!
Mamão adivinhava
que não ia gostar das fotos, mas como num enxergava
bem mesmo, passou batido.
Meia hora depois estava
no Cartório de Identificação ganhando
um Registro Geral, melando os dedos das mãos numa
almofada de carimbo: - vou tocar piano com a mão
melada, é?
Daí a pouco, estava
organizado com CIC, Título de Eleitor, Alistamento
Militar, Carteira Profissional, tudo nos trinques.
O monstrengo só
tinha mesmo de lindo o CPF, documento este que seu Marquin
Doideira vivia paquerando para pendurá-lo, como
um morcego, na valsa de um trambique em qualquer financeira.
Mamão mesmo nem
sabia o que era aquilo, pedisse mostrava logo todos os
seus documentos mofados na carteira: RG com a foto borrada;
certidão de nascimento ilegível pela exposição
impensada a líquidos de chuva ou de rio; carteira
de vacinação precisando atualizar; CPF se
rasgando e impossibilitando a leitura do seu cadastramento;
um galho de arruda e um dente de alho ressecados pelo
tempo; uma flâmula do Flamengo; e três calendários
com fotos de mulheres com a boceta arreganhada.
É que ele quando
via um riacho qualquer, timbungue, esquecia os documentos
no bolso da bunda. Tudo molhado, maior seboseira.
Mas Mamão vivia
de soltar galhofas às meninas passantes, maneira
própria de paquerar as beldades que nem sequer
lhe davam bola.
Mesmo assim, ao que parece
dum relato colhido por Cassaco e que conhecia o feioso
desde tenra idade, era um sujeito correto metido numas
trapalhadas.
Não fosse um dia
seu Marquin Doideira levá-lo para assistir um circo
na cidade, não saberia nem que aquilo existia.
Ele se empolgou tanto com o espetáculo circense
que queria construir um com suas tralhas e bichos do outro
mundo, no quintal do seu protetor. Ficou com aquilo na
cabeça por bom período de sua vida.
Até que fora levado
pelo protetor para uma pizzaria.
- Que droga de comer é
esse?
Fitou longo tempo e ingeriu
uma pizza grande de uma só vez, sorvendo o refrigerante
tão rápido de engasgar-se. Bateram tanto
nas costas do coitado para desentalá-lo que ficou
com uma mancha grande e avermelhada à altura dos
pulmões.
- Oxe, nunca levei tanto
tabefe na vida!
Propositalmente seu Marquim
depois de enchê-lo até o tampo de comida,
levou o destemido para dar uma corrida na montanha russa.
Prá que isso, meu Deus? Mamão vomitou tudo,
não sobrando vivalma que não fosse atingida
pela gosma indesejável.
Por isso ficou verde,
mais parecia o incrível Hulk. Às pressas
foi levado pro hospital. Os olhos virando, a boca aberta,
a baba escorrendo, nem piscava os cílios. Vai morrer!
Nunca havia andado naquilo: - Aquilo é um invento
do cão!
Por causa do acontecido,
seu Marquin teve pena do sáfaro e empregou-o na
condição de carregador de mercadoria em
seu estabelecimento comercial.
O horroroso, coitado,
não sabia nada, mas com o tempo foi assimilando
suas obrigações, trabalhando com esmero
e garantindo seu ganha-pão.
Soube-se, então,
que tivera por profissões as de caçador
de carangueijo na maré de Roteirópolis;
cobrador de cata-corno suburbano; cheleléu de perueiro;
vigia de tartaruga; guardador de guenzo em casa de família;
recadista de pousada do litoral; varredor de terreiro
onde se criavam animais vários; lavador de gôgo
de isca; leva-e-traz de meretriz na zona do baixo de Coité
do Nóia; e, por fim, gigolô da mulher do
vereador Nezito Bico de Bule.
De todos fora demitido
por motivos diversos: de caçador de carangueijo
porque a pata do guaiamum agarrava um de seus dedos, numa
dor de virar caminhão. Ele torava a peiticante,
razão dos crustáceos chegarem aleijados,
justo faltante a pata mais requerida pelos degustadores
da iguaria que reclamavam a ausência da mais saborosa.
Do outro emprego, arribou
por não ter muita intimidade com dinheiro, sendo
dispensado a chutes e pernadas do cata-corno porque quanto
mais gente era transportada, menos sobrava dinheiro para
cobrir os custos do transporte, ou seja, dava mais troco
que recebia passagem. Qualquer um enrolava com valores
ínfimos exigindo troco
Do seguinte saiu por ser
abestalhado demais, quando a kombi acabava de encher,
não cabia nem ele, ficava toda vez ao deus dará:
- foi-se, eita porra!
Dos seus desatinos, muitos
restam como lorotas, como o fato de deixar fugir uma das
tartarugas de estimação de dona Maria Cachacinha
que, aborrecida, prestou uma queixa na delegacia, acusando-o
de ladrão.
Das investigações
apuraram que o quelônio aquático havia realmente
fugido.
Doutra, os guenzos que
ele cuidava com tanto carinho ladravam muito chegando
a deixa-lo mouco dia após dia.
O que fez? Matou um, dos
outros ficarem calados. Resultado: botaram ele para correr
porque compareceram uns ladrões no recinto e ele
achava que eram visitas da casa.
Da pousada, quando levava
bilhete escrito, tudo bem, mas quando era para guardar
na cachola, toda vez ou se esquecia ou, invariavelmente,
trocava as bolas; era esporro de manhã, de tarde
e de noite.
No terreiro onde exercia
a nobre função de varredor, possuía
tanto bicho de tantas qualidades, alguns até que
ele nunca nem tinha visto, que quando ele terminava de
varrer, de um lado a outro, estava tudo sujo de novo das
bostas que os animais cagavam de propósito. Eita,
varria tudo de novo e quantas vezes fosse necessário
até espantar os bichos e cair no maior sono de
três dias encarreados, dormindo que só São
João, só se acordando com os gritos do dono
afugentando o displicente dali.
Quer outra? Ao lavar um
dos gôgos para prendê-los na vara de pescar,
gostava de brincar com eles, achando-os bonitinhos se
relando no chão. Ora, sumia tudo, ou, então,
quando, na hora da fome, comia um deles, não sobrando
um sequer, já viu?
O de leva-e-traz de meretriz,
ele próprio escapulira do vento ruim, visto que,
certa feita, levando um recado da sua patroa, a Maria-cheba-de-ouro,
para o amor dela, o inspetor da polícia, ficou
preso por desconfiança de conduta e, de noite,
durante o interrogatório sobre sua procedência,
o inspetor queria comer seu cu, visando desmoralizá-lo.
- Ôxe, que é
que é isso, meu? -, Mamão relutou, brigou
tanto de deixar o inspetor molezinho na cela, fugindo
para nunca mais dar sinal de sua graça pela redondeza.
Anos depois, regressando
por aquelas bandas na calada da noite, foi surpreendido
pela aflição de dona Bineca, mulher do vereador
Nezito-bico-de-bule.
Deu um carreirão
pensando ser com ele o problema. Depois foi que percebeu
que a aflição dela era por conta de um incêndio
ocorrido no botijão de gás, a qual foi socorrida
pela providente atuação do desajeitado,
apagando o fogaréu e se arriscando de uma explosão
das boas no meio das fuças.
Agradecida, Bineca pediu
para que ele ficasse por ali àquela noite por motivo
dela se sentir insegura e amedrontada, perdendo a total
confiança de ficar sozinha naquela casa, podendo
o incêndio voltar à tona a qualquer momento.
Mamão nem se fez
de rogado, sentou praça na cozinha, esperando o
papôco de qualquer fagulha.
Durante a vigilância
ela serviu-lhe janta – ora, há dias que ele
nem via comida pela frente, somente insetos e folhas –,
o que deixou o cabra ancho de quase morder as orelhas
numa risada.
Era o prato chegando na
mesa, ele amolando os dentes com vontade, devorando a
comida e dando uma dentada no prato de arrancá-lo
um taco - eita! – e quase arrombar um dente, ficando
banguela.
Depois ela mandou que
ele se banhasse e, durante o asseio, levou um pijama do
digníssimo marido para que ele se esquentasse –
mas espia só! - quando, pela sombra impressa, revelada
pelo box do banheiro, percebeu o membro extraordinariamente
desenvolvido do salvador, dando o tamanho da macaca por
descomunal.
Ela tomou um susto mas
não arredou o pé, ficou o tempo todo estatelada,
acompanhando o esfregamento dele embaixo do chuveiro.
Mesmo sendo uma figura
esdrúxula, bizarra, desengonçada, mesmo
assim Bineca, uma senhora jeitosa, de formas graciosas
e rosto muito atraente, sentiu-se atraída pelo
tamanho da trouxa do rapaz.
Daí, de forma propositalmente
descuidada, arrastou a portinhola do box e sacou ao vivo
e a cores, aquela altaneira e retumbante tromba arriada
barriga abaixo. Era um desaforo.
Assustou-se ela com um
gritinho tímido, charminho para chamar atenção.
Ele escondeu o instrumento entre as mãos. E cabia?
Ficara assim mesmo à mostra.
- Que é isso, meu
filho? Esconda não. Mostra para mamãe o
seu piupiuzinho, mostra! – ele empulhado, de escuro
ficou rosado. – Mostra neném que mamãe
quer ver!
E ele, entre cheio de
pernas e envergonhado, encostou-se na parede do banheiro.
– Mostra, neném, mostra! –, ela insistia
em ver-lhe a graça, arrancou-lhe as mãos
e presenciou, in loco, o patrimônio ajegado dele.
– Que coisa mais linda, meu Deus! Deixa mamãe
pegar, deixa! –, sem saída, encurralado entre
ela e a parede, ele assentiu que ela chegasse ao seu membro
e, ao leve manusear, ficou enrijecido e se prolongando
a cada tocada dela.
Mais assustada que nunca
com o desenrolar da mangueira dele, começou carinhosamente
a alisá-lo com as duas mãos, ora revirando
os olhos, ora entrecortando a respiração,
arrepiando-se toda, agitando-se, lábios entreabertos,
ofegante, até que teve uma vertigem e caiu de joelhos
frente aquela volumosa glande o qual ela começou
timidamente a beijar, a passar pelos seus lábios,
pescoço, orelhas, bochechas, testa, seios.
Depois ficou alisando
aquela pomba enorme com sua língua macia, delirando,
sugando-a, engolindo aos poucos visto quase rasgar sua
boquinha delicada que esfomeada lambia, chupava, engolia,
friccionava, punhetando ávidamente, ele escorregando
pela parede, devagar, até sentar-se no piso frio
do banheiro, quando ela, largando a sua pêia, levantou-se,
removeu a saia, livrou-se da calcinha e, comedidamente,
foi se acocorando lentamente sobre a espada rija que se
encontrava pronta para rasgá-la toda.
Ela se contorcia devagar,
requebrando, rebolando, se ajeitando até que sua
vagina foi engolindo, centímetro a centímetro,
dilatando suas entranhas, rasgando seu ventre, dinamitando
seu prazer.
Quando conseguiu introduzi-la
por inteiro dentro dela, Bineca respirou fundo e começou
um sobe e desce cadenciado, doloroso, prazeroso, emergindo
por inteiro fora da sua xanha e depois afogando com força
novamente até o mínimo milímetro
sobrar além dos testículos dele.
Veio então o frenesí,
foi adiantando mais, pulando em cima, uns gritinhos de
sensações suicidas, ele zanôlho, ela
no êxtase, blasfemando, vilipendiando-se, gritando,
adorando, pululando, se contorcendo, gozando, enfim, do
néctar dos deuses.
Como se estivesse retalhada
em postas, cansada, exaurida, ela foi lentamente arriando
e se jogando devagar ao chão, a chorar baixinho,
um choro lavado, completo, grato.
Ficou um longo tempo assim,
a bunda à mostra, Mamão quieto, de pau duro,
só olhando as curvas de sua montanha do Cáucaso,
apalpando a micula ovalada até esfregar o indicador
no cuzinho cor de rosa dela.
Esfregou, então,
os olhos para ver melhor e, com sua manzorra, se apossou
das ancas acetinadas dela e puxou brutalmente a bunda
linda até a altura dos olhos, viu-lhe o pinguelo,
deu-lhe uma lambida, ela, de cu prá cima, deu uma
arrepiada de sussurrar fundo, passou a língua pelos
lábios da priquita entumescida dela, levou o sobejo
até o osso do mucumbú, colocando a ponta
de sua língua no cuzinho dela.
Ah! Ela gemeu. Lambuzou
o esfíncter anal e começou um ajeitado com
o dedo entre as pregas do cu dela, com a outra mão
alisando o cacete para ficar mais duro ainda.
Ela ajeitou-se, ele passando
a rôla na cheba melada, ía e voltava, ora
no cu, ora na boceta; nessa tapiação ela
ronronou e mandou ele enfiar logo a pica dura no papeiro
dela. Nem trastejou, arregaçou a pomba no caneco
da madame.
Um gemido com um misto
de dor e prazer foi ouvido. Ele botava e tirava ferozmente,
ela gritava, não se sabia se pelo fato de ser esfolada
cu a dentro ou se possuída da forma que aprouver.
Depois de tudo, Mamão
ejaculou brutalmente uns três litros de gala nos
fundilhos dela, esborrando tudo, se lambuzando todo, meleguento,
desenfiando a jamanta e abrindo o chuveiro para banhar-se
demoradamente.
Do jeito que estava, ela
ficou, estendida de bruços no meio do sangreiro.
O ignorante enxugou-se,
vestiu-se do pijama alheio e se dirigiu para o quarto
que ela lhe havia dispensado.
- Ô raça
boa prá botar gaia! – zombou ele dando o
último cochilo no meio da noite.
Nezito quando chegou de
manhãzinha ainda encontrou a mulher em decúbito
dorsal, de bunda prá cima, no piso do banheiro.
– O que é que houve? Será? –,
assustado o marido cobriu-lhe as nádegas desnudas
e tentou levantá-la ao que se acordou ainda zonza,
sem saber o que havia ocorrido.
- Eita, ela menstruou
e num tá nem sabendo!
- Onde estou? –
inquiriu ela, totalmente perdida.
- Você estava desmaiada
no banheiro, o que houve?
- Eu?
- Sim, desmaiada, o que
houve? Menstruou de novo?
- Sei lá, estou
totalmente leve, quero dormir!
- Vou chamar um médico!
- Não precisa,
estou me sentindo bem, apenas com sono.
Nezito carregou seu corpo
trôpego até o quarto e a estendeu sobre a
cama.
Procurou pela empregada,
não encontrando, também ainda era cedo para
que ela já tivesse chegado. Ficou preocupado, mesmo
assim, saiu, então, para resolver umas coisas na
cidade.
Intrigado, ficou o resto
da manhã meio desconfiado, passando pela Câmara
de Vereadores, assinando uns papéis, alegando aos
companheiros que não podia ficar para a discussão
porque sua mulher não estava bem e precisava resolver
umas coisas e retornar rápido para o lar.
De lá foi até
a agência bancária, sacou algum dinheiro
e retornou, uma hora e meia depois, para casa, mais surpreso
ainda: ela cantarolava no meio da sala.
- O que houve?
- Você chegou?
- Eu lhe encontrei desmaiada
e nua no banheiro!
- Foi ?
- Foi.
- Ah! Deve ter sido a
aflição!
- De que?
- O bujão incendiou,
estava para explodir e eu, por sorte, encontrei um rapaz
que ia passando, apagou o fogo e salvou a situação.
Quase morri de medo. Acho que pelo nervosismo devo ter
ido ao banheiro e de lá não sei mais nada...
O marido ficou atônito
com a narrativa dela.
Foi até a cozinha
e verificou que ainda estava fedendo a coisa queimada.
Inquiriu a empregada e
ela certificou de que estava tudo em ordem, apenas o fedor
da mangueira do bujão queimada que se encontrava
num canto da cozinha jogada mas que fora substituída
por outra e tudo estava sob perfeita ordem.
Ao retornar para a esposa,
inquiriu se ela se encontrava bem ou se necessitava de
algum acompanhamento médico, o que ela negou alegando
estar muito bem agora.
Tranqüilizado, Nezito
dirigiu-se ao banheiro, tomou um longo banho e matutou:
ouvia desconfiado o cantarolar da mulher no meio da casa.
Saindo do banheiro, levou
a toalha até o coarador, quando ouviu um ronco
profundo e ameaçador.
Digitígrado, investigou,
abriu devagar a porta da despensa e flagrou um bicho horroroso
dormindo na cama.
Deu uma carreira e foi
até o quarto, abriu a cômoda e sacou de um
revólver, quando a mulher assustada com a arma,
instou sobre o que era aquilo, o que se sucedia, e ele
informou que tinha um ladrão dormindo no último
quarto, ao que ela contornou e explicou ser aquele o sujeito
horroroso que salvou ela da explosão e que, como
estava sozinha, pediu por tudo para que ele dormisse ali,
prevenindo qualquer novo incidente, uma vez que ela estava
amedrontada e aflita.
- Mas durmindo daquele
jeito se acaba o mundo e ele nem aí, ora! -, reclamou
Nezito.
- Deixa, deixa.
Ao menos suavizado com
o relato, Nezito acalmou-se e foi almoçar.
Passaram-se então
tardes, noites, dias, semanas, meses, anos, e Mamão
tomando conta da dona da casa, não antes tentar
se ajeitar com a empregada, de quem não cansava
de levar uns bregues e um corretivo no maluvido para deixar
a secretária em paz.
Ele, na dele, ficava ali,
coçando os ovos, comendo do bom e do melhor, fudendo
a dona da casa, enrolando o marido dela e ainda por cima
querendo um xambrego com a empregada.
A pinica era jeitosa e
toda metida as pregas.
Ficava horas e horas acompanhando
os afazeres dela para, quando descuidada, passar a mão
na sua intimidade.
Levou tabefe até
umas horas da piniqueira para deixar de ser folgado.
A madame quando chegava
ele ficava todo murcho, pelos cantos.
A doméstica reclamou
à madame os maus procedimentos dele, eita! Virou
uma jararaca prá cima do incauto. Mas a patroa
deixou passar não antes dar-lhe o maior rela por
isso. Chamou-lhe na responsa e disse-lhe umas poucas e
boas, ameaçando ele de perder a boquinha.
- Quer comparar, é
? – ameaçou ela.
Certa vez Bineca teve
de viajar e passar uns dias fora com o marido para composição
da chapa majoritária do partido que ela pleiteava
a reeleição. Passou uns dezoito dias fora
na convenção.
Mamão sozinho,
Ternência impune, fez de tudo com ela para molhar
o biscoito.
Oito dias se passara e
ela nada. Ele já estava com o juízo apertado.
Ela relutava em não dar bola prá ele, até
que arretou-se, certa feita, quando ele intrometeu-se
a apertar os peitos avantajados dela, arribando dali,
só retornando quando a dona da casa voltasse para
lhe contar os mínimos detalhes do assédio
dele.
Caiu então numa
bruta solidão.
Choroso pelos cantos da
casa, não percebia sentido nenhum em viver assim.
Foi quando, numa olhada
de soslaio, percebeu a cadela Rosemarie deglutindo sua
ração no quintal.
Hum, ele mirou, cheios
de artimanhas se aproximou, alisou a cadela dócil,
ficou brincando com ela, mexeu nas partes pudendas com
um dedo, puxou a cabeça da cadela que lambia tudo,
botou a pica prá fora, fez com que a cadela passasse
a língua na cabeça da rudia dele, ficou
excitado, alisou o cuzinho da cachorra que aceitava as
provocações dele e no meio desse alisado,
enfiou a macaca e a bicha gostou.
- Venha, cachorrinha,
venha, tome! Danada!
Fudeu a cadela três
dias encarreados deixando-a mortinha e toda rasgada. Enterrou-a
no quintal.
Já estava mesmo
enjoando da foda quando resolveu punhetar-se com as fotos
do álbum de fotografias da Bineca, em poses sensuais,
maiô de praia, com calções íntimos,
de robe, deitada em trajes sumários, fazendo ginástica,
escalando dunas, bebendo uísque, chupando picolés
e sorvetes, tudo enriquecia sua imaginação.
Dezoito dias passados
finalmente retornara.
- Como está a casa,
Mamão?
- Tubem!
- Cadê Ternência?
- Foiprácadopaidela!
- Ternência tá
muito folgada, deixou você com fome, foi fofinho?
Bineca deu-lhe um cheiro,
alisou seu cacete e seguiu direto para o banheiro.
O marido entrou e mal
apanhou uns papéis na cômoda e escafedeu-se
azuretado com os compromissos.
Mamão foi para
o quintal e sem ter nada o que fazer, recolheu-se ao seu
quarto.
Daqui a pouco, chega Bineca,
assanhada, doidinha para atualizar a foda diária
e lavaram a égua.
Lá para as tantas
Bineca saiu e só retornou com o marido e a empregada
na boquinha da noite.
Mais três dias depois
Bineca sentiu umas coisas estranhas escorrendo boceta
abaixo, ficou atordoada, marcou consulta com o ginecologista,
desconfiando que o marido havia pulado a cerca e colocado
alguma doença venérea nela. Uma bomba!
O médico tascou
o diagnóstico: blenorragia de cachorro!
Ela armou-se com uma mão
de pilão e deixou uns quarenta galos cantando na
cabeça do marido, fato bem explorado pelo pessoal
da oposição que levou para os palanques
políticos a quantidade de gaias que coloriam a
cabeça dele.
- Bem empregado, todo
castigo para corno é pouco!
E não ficou por
aí, ela também expulsou Mamão debaixo
da maior esculhambação e agora esse seu
amante ficara com uma mão na frente e outra atrás,
levantando a confirmação das suspeitas dos
opositores dela e, ainda por cima, acometido de doença
braba.
Depois de tudo passado,
agora não, agora ele estava como carregador eficiente
na loja do seu Marquim Doidera, a Maluquim Móveis,
aprendendo diversos afazeres, meio atrapalhado e pisando
na bola de vez em quando.
Recado era melhor que
não mandasse por ele, trocava tudo.
Beócio, misturava
as coisas.
Apreciando melhor, a única
serventia dele, era levar grito, mais nada. Valia irrisória
para sujeito tão biltre.
Quando tentava justificar
qualquer erro, era uma língua enrolada de ninguém
entender patavina e, ainda, respondia com raiva, dono
da razão dele. Mas estava quieto, havia pulado
não sei quantas fogueiras, quase tudo lhe queimando
o rabo.
Relembrava, quando podia,
toda sacanagem contada aos borbotões na maior mangação
dos ouvintes que duvidavam de tudo, até de sua
sanidade. Isso aguçava seus quereres.
Dera-lhe, outro dia, portanto,
uma agonia de querer foder.
Meses assim, endoidava.
Com quem? Era preterido por todas, quem se agarraria com
ocrídio daqueles? Era o asco das meninas, não
tomava banho, nem escovava os dentes, não penteava
o tuim, asseio algum, um fedor insuportável, um
bafo de lixo podre, uns grudes por todas as partes do
corpo, remela olho abaixo, ele não era preto mas
bem que se mostrava escuro.
Seu Marquim, uma certa
tarde, deu-lhe um banho de chorar três dias seguidos.
Teve de usar até espátula para remover o
grude infincado na pele do catingoso. Eita, descascaram
o rapaz.
Viu-se, então,
que era moreno; jogou-lhe uns pingos de perfume, ardendo
sua pele, uma coceira braba da cabeça aos pés,
denunciando unheira, biqueira, perebas, chulé brabo,
piolho, chato, lêndias, enfermidades a quatro, meu,
aquilo não era gente, era a verdadeira boceta de
Pandora!
O patrão conseguiu
depois de muita conversa no pé do toitiço
que uma aleijadinha caolha e banguela, aceitasse dar uma
trepada com o bicho-feio.
Tudo acertado, o seu protetor
mandou que ele fosse até o terreno atrás
da paróquia, buscar lenha para a fogueira de São
João.
Lá foi catando
os gravetos quando deu pela presença da aleijadinha,
encostada ao pé do cajueiro, com a saia levantada
mostrando a cheba prá ele.
Agoniou-se e partiu com
mais de mil, agarrou-se com ela e enfiou a manjuba priquito
adentro. Ela deu um grito e saiu correndo de esquecer
as moletas. Era uma vez, para nunca mais.
- Numbotnemochapédivaquero,
ué?
Quando ele percebeu as
moletas, ajuntou com a lenha e levou para queimar na fogueira.
Estava triste e desconsolado. Risadagens deixaram-no mais
chateado ainda.
Sem ter o que fazer, rumou
para o quartinho do depósito da empresa e no meio
do caminho, seus olhos se abriram ao encontrar a presença
de uma gaga que ele paquerava há tempos e deitou
conversação mole prá cima dela.
Era um ronronron dum lado,
um quiquiqui, do outro; cacacacá, nenhum dos dois
se entendiam.
Ele perdeu a paciência,
pegou a moça a pulso, agarrou pelos cabelos, ajoelhando-a
e empurrando o caralho na boca da coitada.
Era um humhumhum agoniante,
um impado desastroso, ele segurando-a com força
para que não escapulisse, em defesa ela deu-lhe
uma dentada no caralho dele ver estrelas, ela deslizando,
ele segurando com mais força ainda, deu-lhe uma
rasteira, a bunda prá cima, arrancou-lhe a caçola
e deu-lhe uma picada na perseguida dela da bicha gritar
feita louca.
Do rebuliço foi
juntando gente, de terminar na maior carreira mata afora.
A gaga foi hospitalizada,
com fratura exposta do osso do mucumbú, rasgada
de um lado a outro, ou seja, quando mijava, saía
pelo cu; quando cagava, saía pela boceta; era um
buraco só.
Depois de trezentos e
cinqüenta e dois pontos para colocar tudo no lugar,
a danada deu de falar direito, toda gasguita, se elegendo,
dez anos depois, na vereadora mais atuante dali. Foi o
milagre da bimba fonoaudióloga do Mamão.
Virou lenda no lugar.
E foi devido sua descomunal
anomalia sexual que fêmea alguma ousava namorar,
flertar, paquerar ou mesmo conversar com ele.
Aí que começou
o seu verdadeiro dilema.
Enjeitado por todas ficou
sem alternativa, nem prostituta barata e mais afolosada
que fosse, nem com salário dele todo, juntado meses
e meses, ninguém se aventurava.
Estava sempre em fuga,
dos empregos, dos patrões, de tudo. Situação
difícil mesmo, estava amargurado, não conseguia
mais trabalhar, já variando, meio-dia em ponto,
com uma fome das brutas, via galinha cocoricando, lôu!
Visse porca ronronando, passou! Tinha até uma jumenta
jeitosa que ficava no leirão dos Mendonatos, gente
braba que possuía bichos de primeira, tudo de raça
pura, e a jumenta era jeitosa, toda espadaúda,
trucada.
De tanto amorcegar as
galinhas sequer notara que pela truculência do estupro
matava as penosas, era uma mortandade no galinheiro, de
polícia e pistoleiro sair catando o responsável.
A porca de seu Anastácio
deu o maior rolo, a ponto de passar de raspão uns
tiros de doze no toitiço, quase pega, tirando fino.
Ôxe! Cochilasse
ele papava: pata, gansa, coelha, cabrita e até
gia, só surpreendido por intervenção
de populares.
Estava, então,
vagando no meio do mormaço de mexer com seu juízo,
quando viu no parapeito da janela, uma mulher de vida
airosa. Era a formosura da mulher de Zé Corninho
com os seios expostos no decote da blusa.
Aquilo revirou seus nervos,
logo ele que estava com a morrinha, então, escondeu-se
numa moita e ficou ali espreitando, quando ela, gaieira
conhecidíssima, de vida dissoluta, perdida por
rola, tinha mais hora de foda que urubu de vôo,
enrolou-se numa toalha felpuda, um batom encarnado nos
beiços, uma franja deitada sobre os olhos, um rebolado
frouxo, se encaminhou ao riacho Vertente, para tomar banho.
Ele perseguiu a sestrosa,
atravessou o mata-burro e se escondeu atrás do
umbuzeiro.
Lá entocado viu
quando ela arriou a toalha, nuazinha em pelo, agitando
os cabelos no meio das lufadas de vento que lhe cobriam,
caminhando rumo ao riacho para um mergulho ruidoso naquelas
águas.
Mamão já
de pau duro, pegou de uma folha de bananeira e encobriu
o membro rijo.
Na beira do riacho ele
abriu conversa com Sandrosa.
- Ôi, Mamão,
onde tu andava home?
- Trabaiando, trabaiando.
- É mermo home?
Qué qui tu tais fazendo agora?
- Organizandidéias,
somente.
- É mermo home?
Vem tomá banho comigo, vem, a água tá
tão gostosa!
- Tô pensanisso.
- Avia-te, home, vem-t´imbora,
vem logo, a água tá tão boa! Vem
ver?
- Tôpensanainda!
- Vem logo, abestalhado,
deixa eu ver o que tu tem debaixo do calção,
mostra!
- Émermo?
- Bora, home, quero ver
essa coisinha miudinha aí.
Mamão abufelou-se,
jogou prá lá a folha de bananeira e deixou
à mostra a jibóia viva fazendo volume embaixo
do calção.
- Vôte! Parece mai
uma cobra gigante assim dibaixo do calção!!
Vem-te, home, vem que eu quero ver de perto.
Nem pestanejou, pulou
dentro da água e foi logo se agarrando nela. Quando
ela segurou forte o caralho dele, deu um gritinho de satisfação,
se ajeitando toda, esfregando a cheba na mangueira de
bomba de gasolina dele, se arrastando até a beirada
e lá se arreganhando toda dele ficar impando que
só bicho no cio.
- Vou enfiáopetrope
devagarinho!
- Bota tudo, home frouxo,
tais pensano o que?
Atendendo seus pedidos,
ele colocou nela de quatro e arregaçou fundo a
manjuba no chibiu da manceba, dando-lhe uma chibatada
que o gogó deu uns dois litros e meios de viscosidade.
No orgasmo dela, foi tanto
ai ui ai uiuiuiuiui que ela liberou uns dez bilhões
de milivolts, se acendendo toda que nem florescente no
meio do vuque-vuque.
Aí, ele que meio
enraivecido empurrou tudo no furico dela, taim!
Lá pras tantas,
arfantes, descansaram.
- Agora, gostoso, que
você cumeu meu cu, vai tê de gozar na minha
chiranha, tumbém, viu?
Apenas com estas palavras,
hum, ele já estava pronto para nova investida.
E não demorou muito,
tome, ele enfiando até o topo, rasgando ela toda,
da rôla bater na garganta, de quase engasgá-la.
- Ai que trepada boa!
Ai que trepada boa!
Um desmantelo era a fudelança
deles, ela insaciável, ele a perigo, imaginem só.
No maior do ato, eis que
tudo leva ao desespero.
Zé Corninho flagra
os dois na safadeza.
O corno que vira sua santa
mulher amufanhada com sujeito tão torpe, tão
desqualificado, ficou puto, coçou a testa, franziu
o cenho, sentiu a gaia florindo no seu futuro, sacou de
sua arma e largou uns tiros na pistola bala U, expulsando
Mamão dali, na maior bronca.
Não vacilou e logrou
uma saída furtiva livrando-se da frege braba.
De novo!
O povo em peso já
tava com pena do desgraçado, nada dava certo, mas
todos mudavam de opinião, quando Cassaco lembrava
de suas raízes, quando ele fora criado por uma
mãe, que ninguém sabia mas que era adotiva,
e que devido as escapulidas do marido dela, expulsou-lo
de casa, ficando só com Mamão que por fim
amasiou-se com ela, alegando, ainda, que matou-la no meio
de uma foda.
Amaldiçoado por
todos, conseguia cobrir de indignação quem
quisesse ajudá-lo.
Mas da fuga do Zé
Corninho, ficou ele escondido no mato, nu, esperando a
noite chegar, sem dignidade e sem brio.
Lá para as tantas,
acocorado, sentiu uma cobra passar pelo rego da sua bunda.
- Êpa, quiéissoqumenrabar?
Atrepou-se numa árvore
mode não ser bolinado por bicho algum, nu daquele
jeito.
Depois de horas, vagou
infeliz pela noite, sabia que estava nas proximidades
do arruado da Usina Tosadinho, sem muxiba no moquém.
Ali atrepado, ouviu o
assobiu de alguém que vinha vindo.
Escondeu-se mais, porém
a pessoa notou a sua presença.
- Num adianta se escondê,
tô lhe tirando faz tempo!
Mamão olhou e era
o professor Etelminiando, arre! Todo efeminado que desfilava
faceiramente a procura dele depois que ouvira o barulho
de sua mijada.
- Num adianta mermo, eu
já vi! Tá precisando de alguma coisa, vamo
lá em casa que eu te dou!
Mais surpreso que temeroso,
Mamão abaixou os olhos e não quis dirigir
palavra alguma ao pirôbo. Mas o professor provocou
Mamão dizendo do que possuía, comida, cama,
roupa lavada, dinheiro quanto que fosse , casa para morar,
tudo!
Rejeitando a proposta,
Mamão encolerizou-se.
- Quéqeuboterolanoseucú,
né?
Etelminiando admirou-se
do volume que Mamão segurou e ficou gazela saltitante
para que ele descesse, prometendo mundos e fundos.
Era uma lâmpada
maravilhosa e um gênio bicha para realizar todos
os seus desejos; festas e risos; luas e estrelas; imaginem,
todos os seus sonhos para seguir o pederasta.
Ele não tinha o
que perder, estava na última lona, fudido e mal
pago, de que adiantaria relutar? Orgulho? Ora se jamais
possuíra vaidade alguma? Se a vida jamais prometera
situação assim?
Tentara, por fim, arranjar-se,
esta era uma chance luminosa.
Estava, portanto, de pança
cheia, o ar refrigerado abanando os pentelhos do cu, de
perna prá cima, todo pabo, liso que só,
pediu dinheiro, dinheiro tinha; pediu mais, cédulas
e mais cédulas; daí mandou o fresco ficar
de quatro e rasgou o anel da veada com sua protuberância
animalesca.
A roseta da gazela levou
um bocado de ponto para colocar as pregas no lugar, numa
ruidosa risadagem estourada por todas as brenhas da região.
“São Paulo
é terra boa
corre prata pelo chão
o professor tá
enganchado
na pomba do Mamão!”
Endinheirado e só,
Mamão aboletou-se na cadeira do papai e nem deu
bola para a cantoria inventada pelos argutos enredeiros.
Ficou a ruminar idéia
alguma, tentando ligar pro telesexo com o fito de conseguir
alguma garota de programa, mas não acertava girar
o disco devido seus dedos roliços.
Aporrinhou-se e jogou
o telefone que espatifou-se no chão.
Foi até o frigobar
ingeriu uma cerveja, duas, tres, quatro, variou, tomou
mais, todas, cambaleou e ficou jogando prosa para as transeuntes
que divisavam o portão da casa.
Atravessasse quem fosse
ele jogava uma lorota, resultado: tres cascudos, onze
bofetes, treze mãozadas, oito murros, seis porretadas,
dezenove esporros indignados, setenta impropérios
na venta, nove foras, cinquenta e cinco xingamentos, vinte
e nove vai tomar banho, sessenta e uma procura o teu lugar,
dezoito vai te catar, cento e cinco não amola,
cinco vai plantar bananeira, doze vai prá porra,
catorze beliscadas, vinte e oito vôte e uma cadeirada
de deixá-lo em nocaute por mais de hora.
Zonzinho saiu catando
uma corajosa que deixasse ele afogar o ganso até
que, por fim, deparou-se com uma jumenta cobiçada,
solitária no meio das brenhas.
Conferiu e pensou capenga.
Flertou o animal, deu uma piscadela, ensaiou malabarismos
sexuais, arrudiou-la num verdadeiro walkaround, passou
a língua nos beiços e se ajeitou na garupa
dela, levantando o rabo e metendo a língua ardorosamente.
Da chupada a jumenta deu
uma carreira, trotando doida, de ficar atrepada num pé
de coco chamando por ele.
- Maaaaaaaaaaaaamão!
Maaaaaaaaaaaaaaaamão!
Então ele escalou
a árvore, chegou no galho onde estava a abufelada,
a bicha rinchou demorado, ajeitou-se para ser possuída,
sacou do pepino gigante e meteu-lo na regada dela, realizando
verdadeiras acrobacias sexuais. Foi um zoadeiro de acordar
todo mundo.
Lá para as tantas
ele satisfeito desceu e foi dormir.
No outro dia, ainda grogue
do mé, tomou outras tantas, mais lavado que no
dia anterior, seviciou a jega de novo.
E assim se foi, ao cabo
de dois meses, já estava viciado, todo dia se atrelando
na garupa da jumenta, na mesma hora, no mesmo local.
Restabelecido do problema
que fora acometido, o professor retornara ao lar e engalanara
o rapaz de sua adoração.
Aí chegou o dia
de um casamento dum parente dele, mais precisamente um
sobrinho do Etelminiando, numa cerimônia de parentes,
amigos, aderentes, simpatizantes, escancha-parentes, padrinhos,
coiteiros, alcoviteiras, beatas, merepeiros, presepeiros,
fiéis, justos e fariseus, entupida de cabo a rabo.
Mamão estava todo
alinhado com um terno metido e costurado segundo as proporções
do abestalhado, estava impecável, encaminhando-se
para a igreja acompanhado do patriarcal professor.
No meio da cerimônia,
justo na hora do sim dos nubentes, que fale agora ou se
cale para sempre, a jumenta invadira as dependências
sagradas, com um violento vexame, afastara todo mundo,
engulira cinco quilos de hóstias no maior berreiro,
a platéia atônita fugindo pelo ladrão,
em polvorosa, a revoltada saiu dando uns coices até
chegar em Mamão, arreando a garupa num requebro
estranho, como se sentando no ventre dele, rinchando que
nem louca para ser possuída pelo amado que esquecera
sua obrigação consuetudinária naquela
noite. Foi um deus nos acuda.
Hehém.
©
Luiz Alberto Machado.

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